segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

As ofensas impostas à nação.



As ofensas impostas à nação.
No Brasil diariamente a população é violentamente surpreendida e moralmente agredida por pensamentos, decisões, ações e conchavos políticos. São perfídias, quase que perfeitas de políticos ordinários, que compõem o nosso parlamento. São autoridades estoicas, que pertencem a alcateia dominante deste país, são grupos e subgrupos de toda sorte e nefastos confrades engabeladores da nação.
O senador Pedro Simon em entrevista a revista de circulação nacional, disse: “Os bons já morreram”. De forma contundente, o senador referia-se às personalidades consideradas “Reserva moral” do parlamento do brasileiro, os quais tivera um feliz convívio salutar. Entre eles; Tancredo Neves, Mario Covas, Ulisses Guimarães, Jeferson Perez, Darcy Ribeiro, Teotônio Vilela, Afonso Arinos e outros que de forma honrada enobreceram de forma plural e definitiva a memória de seu tempo.
O ícone Afonso Arinos, em pronunciamento no senado da república: “Senhores constituintes de hoje, senhores congressistas de amanhã, nosso dever, é fazer política, e fazer política é praticar a liberdade. É honrar nosso mandato e a memória de nosso tempo”.
Arinos de Mello Franco, guardião da república, viveu honradamente, seus pensamentos e atitudes, sempre em defesa dos desvalidos, o qual representou com nobreza e orgulho, honrou e respeitou o Brasil e o parlamento.
A péssima qualidade cultural, ética e moral dos vários candidatos das últimas legislaturas, e os já existentes no cenário político, levou a degradação, a podridão, o despudor da classe.  Para perpetuação na vida pública é lançado toda sorte de trapaça, e na maioria das vezes, por serem fundadores dos partidos pelo qual se lançam, não são submetido a uma prévia escolha, assim é para seus substitutos eventuais ou programados.
Essa corja de sanguessugas é na verdade, os que promovem grandes escândalos que tanto envergonham a sociedade e o país.  “O jornalista Elio Gaspari, em matéria do dia 20 de janeiro foi muito feliz ao analisar “A nova elite do congresso do PMDB e do PT”, e dizer que:” Os Senadores e Deputados devem refletir sobre a seleção que vem sendo escalada para dirigir o Congresso e ocupar cargos relevantes no plenário. “A cúpula do parlamento tem algo como 20 posições de destaque, que refletem a essência da liderança das duas casas”. “Sempre houve casos esparsos, e graves, em que foram escolhidos parlamentares com mais prontuário que biografia”. Lembramos de Severino “fura poço” Cavalcante.
Gaspari lembra que jamais se chegou ao que se está armando agora. Para Presidência do Senado, o favorito, Renan Calheiro (PMDB-AL). Foi denunciado ao STF pelo Procurador Geral da República Roberto Gurgel, pelas redes de relações perigosas na qual a empreiteira Mendes Júnior pagava as despesas da namorada com que tivera uma filha. Na ocasião Renan mentiu alegando que pagava as despesas com vendas de gados de sua fazenda. Apresentou vergonhosamente notas fiscais falsas.
Para a presidência da câmara, já ocupada por Ulisses Guimarães, político possuidor de conduta moral e ética, homem republicano, orgulho dos brasileiros e do próprio PMDB, o favorito é o deputado Henrique Alves, também do PMDB-RN. Mantinha uma assessoria (paga pela viúva) o sócio da empresa recebeu 6 milhões em verbas federais direcionadas para obras em 20 municípios aliados do deputado no do Rio grande do norte. Assim, começamos a vislumbrar o futuro “Tenebroso” que nos reserva essas eleições no Congresso Nacional. Os escândalos políticos, crimes, corrupções gerais e irrestritas em vários níveis, assim como várias outras técnicas de delapidação moral, ética, cívica e histórica, de certa forma começaram a tomar vulto a partir da “demonização” iniciada em 2003, que representaria “uma nova etapa na democracia brasileira”, daí, pondo ponto final a uma redemocratização “chula”, que produziu os piores movimentos sociais e acelerou todo tipo de escória política existente no parlamento, que envergonha a todos os brasileiros. Nessa proclamada nova etapa da sonhada democracia (sic) brasileira, também chegou ao poder, elementos perdedores da luta armada, que queriam implantar uma “Ditadura Comunista” no Brasil. Liderado por militantes com orientação política de esquerda, com objetivo político de implantar a ditadura do proletariado no nosso continente, que foi detida graças aos heroicos esforços das Forças Armadas.
Metem quando dizem que aqueles que pegaram em armas contra o regime militar lutavam pela democracia. Comunista, é especialista em dialética e na arte de dissimular, nunca dizem exatamente o que são e o que pretendem. Tivemos o exemplo prático que culminou com tanta corrupção. Com o poder nas mãos o que fizeram, construíram um ardiloso plano de governo para se perpetuarem no poder, e o resultado dessa nova “Luta”? Corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha. Nas palavras esclarecedoras a nação o ministro Celso de Mello em seu voto: “... são eles corruptos e corruptores, os profanadores da república, os subversivos da ordem institucional...”.  A ministra Carmem Lúcia afirmou: “... corrupção significa que alguém foi furtado de alguma coisa, mas significa que uma sociedade inteira foi furtada: pela escola que não chega, pelo posto de saúde que não se tem...” No pretendido projeto de governo, as figuras dos ex-guerrilheiros José Dirceu e José Genoíno, nunca desistiram de conspirar contra a nação. O Gen. Ex Walter Pires declarou certa ocasião que: “Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se por a agitadores e terroristas de armas na mão, para que a nação não fosse levada à anarquia”.
Hoje, segundo palavras do ministro do STF, considerados “Subversivos da ordem institucional”, lutam pela desmoralização das Forças Armadas com a imposição da “Comissão da Verdade”. As táticas são as mesmas os personagens e seus séquitos tentam de todas as táticas para desmoralizar o Supremo Tribunal Federal, por tê-los, condenados pelas práticas nada republicanas na intensa busca do projeto de poder. Genoíno, acusado em processo no STF, por provocação e na tentativa sublime de desmoralizar as Forças Armadas, a convite do governo e por estar desempregado, aceitou assessoria no Ministério da Defesa, onde representa até hoje, tudo de negativo a sua história de homem público e militante da luta armada, não sendo digno de ter pertencido aos quadros do Ministério o que corresponde ofensa aos brios de soldado. Condenado pelo STF resolveu mais uma vez tentar desmoralizar o STF, assumindo vaga na câmara dos deputados, alegando respeito aos eleitores. Como se o dia que irá para prisão é apenas um devaneio da nação.
Entre os acusados no processo do mensalão, João Paulo Cunha teve o disparate de assumir a presidência da comissão de constituição e justiça da câmara, foi preciso o STF pregar à testa do deputado o carimbo de corrupto para o PT se dar conta da inadequação de ter como candidato a prefeito um réu em processo criminal.
O grande deputado Otávio Mangabeira no discurso de sua despedida da Câmara dos Deputados em 1958, registou as dificuldades vividas pelo povo, manifestou então, esperanças no futuro do Brasil. “Quanto mais lamentável for à situação do país, tanto mais estaremos no dever de não perder a fé no seu destino”. Essas palavras registradas nos anais da câmara pelo ilustre parlamentar, nos trás certo conforto e enorme incentivo para mudar o quadro deplorável existente. Se persistir a falta de moral, honra, ética, o equilíbrio social, a educação, saúde e segurança, o Estado está propenso pela deterioração de seus pilares sustentadores. A sociedade precisa se mobilizar, só há saída com a mobilização do povo. Carlos Lacerda em peça de defesa na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, 1957 tentando se defender por ter lido telegrama secreto da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, sobre operação com madeiras da qual teriam resultado, supostamente, recurso para a campanha de Getúlio Vargas à eleição de 1950, pronunciou: “... Nós somos forças desprezadas. Nós somos os que constroem com sacrifício e com risco as vitórias definitivas, as únicas que o polifemo não conhecerá. Nós somos ninguém porque somos o povo brasileiro...”.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Plano Estratégico de Fronteiras permite avanço no combate ao crime organizado



Publicação: 21/01/2013

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (21) que o Plano Estratégico de Fronteiras tem alcançado bons resultados na prevenção ao crime organizado. Segundo ela, desde o início das ações, há um ano e meio, 360 toneladas de drogas, 2,2 mil armas, 280 mil munições e 20 toneladas de explosivos foram apreendidas.

“Mesmo sendo área de segurança pública e uma responsabilidade constitucional dos estados, o governo federal tem o dever de participar, na sua área de atuação, para a melhoria da segurança pública por meio de programas”, destacou.

No programa semanal Café com a Presidenta, Dilma explicou que o plano consiste em duas grandes operações: a Operação Ágata, liderada pelo Ministério da Defesa e que mobiliza as Forças Armadas, e a Operação Sentinela, coordenada pelo Ministério da Justiça e que reúne a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional de Segurança.

Ela lembrou ainda que o país conta com uma fronteira de mais de 16 mil quilômetros com dez países da América do Sul. “Os criminosos escolhem as regiões mais vulneráveis da nossa fronteira para o tráfico de armas e de drogas e também para o contrabando. Por isso, o combate ao crime tem exigido uma ação firme e uma presença forte do governo federal nas regiões de fronteira.”

De acordo com a presidenta, o Brasil já firmou acordos com países como Colômbia, Peru e Bolívia para combater de forma mais efetiva o crime organizado na região. A ideia do governo brasileiro, a partir de agora, é intensificar essa cooperação na área de inteligência e também na repressão ao crime.

“É com ações como o Plano Estratégico de Fronteiras que nós vamos construindo, junto com os países vizinhos, uma sólida rede de proteção das fronteiras, combatendo o tráfico de drogas, o contrabando de armas, o crime organizado. Com isso, trabalhamos pela segurança das famílias nas cidades brasileiras e por uma convivência de paz e harmonia com os países da América                 
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O DESCONHECIDO ANDREAZZA



O DESCONHECIDO ANDREAZZA
Por Carlos Chagas
(Prefácio do jornalista Carlos Chagas para o livro sobre o ministro Mário David Andreazza, elaborado  e editado pela família.)

Sem ser engenheiro, por haver optado pela Escola Militar das Agulhas Negras, mesmo depois de aprovado no vestibular para a Faculdade  de Engenharia do Rio de Janeiro, Mário David Andreazza inscreve-se na relação dos maiores realizadores de obras públicas que o Brasil já teve,  em toda a nossa História. 
Importa pouco, neste prefácio, falar da ação do ministro dos Transportes e, depois, do ministro do Interior, nos anos em que o país  mais se desenvolveu materialmente.  Nos capítulos seguintes, o leitor  encontrará provas e evidências das centenas de   realizações responsáveis pela  nossa inclusão no rol das nações que romperam o desenvolvimento atormentado da primeira metade do século XX para chegar à afirmação real  de nossas potencialidades.

Da multiplicação da malha rodoviária que chegou ao asfaltamento da Belém-Brasília  à implantação da Transamazônica, da Cuiabá-Santarém aos milhares de quilômetros retirados das pranchetas para o solo fértil do Sul e do Sudeste,  essas  foram  apenas uma parcela do  espírito criador do  ministro. Reúnem-se à ponte Rio-Niterói e à recuperação das ferrovias desmanteladas nos  anos anteriores à sua gestão. Completam a mutação verificada nos portos e a solidificação da indústria naval, com a batalha naqueles idos  vencida contra a exploração do transporte marítimo pelos abomináveis navios de terceira bandeira, que  estrangulavam nossa economia. As hidrovias romperam território à dentro através de um  sadio  nacionalismo gerado nos tempos em que, como instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército,  depois da Escola Superior de Guerra, comprovou na prática a teoria do apoio do Brasil  nas próprias forças, antes que o deletério neoliberalismo nos envolvese, como ainda hoje acontece.

Andreazza era nacionalista de verdade, sem necessidade de ser radical, mas é hora de nos afastarmos de um reconhecimento óbvio de sua  capacidade administrativa e  gerencial para mergulhamos no ser humano, razão destas linhas.

Ao contrário  das primeiras impressões determinadas por seu otimismo e  sua capacidade de gestor de obras, é preciso abrir espaço para alguém atormentado.     Sua imagem de realizador conviveu, no íntimo, com a desconfiança permanente de chegar a bom termo em cada uma de suas iniciativas. Transmitia aos auxiliares aquela caraterística dos grandes comandantes, mas, na intimidade,  duvidava. Junto aos amigos  mais chegados,  buscava apoio, na véspera,  para os passos a ser dados no dia seguinte. Apesar  da certeza de estar no caminho correto,  sofria diante das incompreensões  previstas frente às barreiras que romperia com consciência.

Nenhum documento exprime com mais densidade esse sofrimento permanente, assim como sua determinação inflexível de seguir adiante,  do que a carta reservada enviada ao secretário-geral do ministério dos Transportes, logo depois de empossados os  dois. Desconhece-se,  até hoje, a reação do fidelíssimo coronel Rodrigo Ajace,  diante de parágrafos como:

“(...) Administração é sobretudo coragem. Coragem de arriscar  calculadamente e ficar indiferente aos medíocres enfurecidos que não perdoam o sucesso de ninguém. Até de ladrão seremos chamados.”

E depois:
“Sofreremos muitas restrições, em particular de nossos colegas, e mais ainda dos generais que verão sempre em nós os meninos que há pouco se perfilavam e faziam continência. Poderão se transformar nos nossos maiores adversários. (...) Para começar, temos que passar por malucos. (...) Engolir sapos e trabalhar. Terminaremos nos impondo. Temos capacidade e imaginação.  Lutaremos contra a vaidade. Sei que é  difícil, mas venceremos a tentação, pois a vaidade gera ódio e sentimentos mesquinhos.”

Tudo isso foi escrito como preâmbulo para anunciar as primeiras metas: “a duplicação da via Dutra, os estudos de viabilização da ponte Rio-Niterói,  a navegação em decadência, a vergonha da Rede Ferroviária, o sistema portuário em decadência, o déficit cada vez maior na questão dos fretes marítimos, a desmoralização do DNER”...

Havia um universo a construir mas o  perfil começava a ser desenhado a partir das dificuldades a enfrentar. E elas surgiram nas primeiras semanas de sua atuação.  Companheiros de farda, em especial generais, mas montes de coronéis, seus colegas, viram-se tomados por aquele sentimento por ele detectado anteriormente, da inveja. Porque alguém como eles, ou até, hierarquicamente inferior, ousava investir contra imutáveis moinhos de vento, sem prestar atenção a estrelas e continências?

Juntaram-se  os contrários,  desde os  primeiros meses.  Os adversários do governo Costa e Silva, sem coragem para atingir o velho  marechal, fizeram de Andreazza o alvo imediato. Exatamente como ele previra na carta ao coronel Ajace. Carlos Lacerda abriu a fila,  sugerindo, mas  sem afirmar,  que aquele conjunto de iniciativas anunciadas por Andreazza encobria a corrupção.  No fundo,  elas contrariavam interesses internos e externos, estes das multinacionais, às quais muita gente do governo Castello Branco servia.

Se é verdade que o MDB do dr.  Ulysses negou-se a integrar  a corrente de desmoralização do ministério dos Transportes,  no reverso da medalha  partiram  de civis e militares ressentidos  com os rumos do movimento de 1964 os primeiros  petardos contra o próprio  movimento que  integraram. Veio desses ultrapassados, entre eles os generais Golbery do Couto e Silva e Ernesto Geisel,  sem perder de vista o ex-ministro Roberto Campos,  então   no ostracismo,  a  catarata de meias suposições e incompletas ilações destinadas, menos do que atingir Costa e Silva e Andreazza, a interromper o fluxo de uma política nacionalista e contrária aos interesses externos que a retomada do desenvolvimento  brasileiro obstruiria. Com a óbvia colaboração da parte mais forte da mídia,  que até hoje o invencível Hélio Fernandes chama de “amiga e amestrada”.

Mesmo assim, com o apoio de Costa e Silva, resultados começaram a aparecer. Como a amargura encoberta de Andreazza tornava-se  visível apenas para seus amigos  mais chegados. Houve um  momento em que a aliança entre ressentidos e interesseiros chegou a limites  extremos, em veladas acusações até  sobre a honestidade do ministro.   Ninguém assumia mas muitos  se aproveitavam para denegri-lo, a ponto dele ter procurado o então chefe do SNI, general Garrastazu Médici, pedindo-lhe para indicar um  oficial  de informações capaz de ocupar a chefia de seu gabinete. O indicado foi o coronel Rocha Maia, de toda confiança, que nunca mais deixou Andreazza, aval de sua honestidade junto à comunidade de informações.  
Nem tudo eram obras e realizações. Havia mil obstáculos laterais a enfrentar. Um deles, o da repressão, mesmo nos tempos em que Costa e Silva procurava neutralizar os seus radicais. Andreazza  sofria ao saber que abusos começavam a acontecer com mais intensidade, bem antes da decretação do AI-5. Aconteciam também por provocação da esquerda furibunda, aquela que trocava as passeatas por assaltos a bancos e ações violentas.

Um querido  amigo, jornalista de qualidades profundas, Washington  Novaes, foi de repente  preso, acusado de perigoso  agente marxista. Busquei o auxílio de Andreazza, que por sua vez descobriu estar o companheiro nas masmorras  da Polícia Federal, no Rio.    Desgastou-se o ministro, ao se responsabilizar pela liberdade de Washington, mas,  dias depois, disse-me,   desabafando:  “o clima esquenta cada vez mais. Se pegarem você, meu amigo de fé, creio que não poderei fazer nada...”

Quanto  mais  o tempo passava,  mais se exacerbava a radicalização, até o  dia em que o Congresso, no exercício de suas prerrogativas, negou licença para que fosse processado pelos  ministros militares  o jovem deputado Márcio Moreira Alves. Num  arroubo de inconsequência, ele  discursara apelando para as mocinhas casadoiras não dançarem com os jovens cadetes e tenentes, nos bailes da Independência, demonstrando  seu repúdio à  ditadura.  Um pronunciamento bobo, que nem mereceu réplica dos líderes do governo, mas que no dia seguinte estava  distribuído por todos os quartéis do país, com o preâmbulo de “veja como o Congresso trata nossas gloriosas Forças Armadas”.

Um dia depois,  Costa e Silva não resistiu e, em vez de aceitar a solução do vice-presidente Pedro Aleixo, pela decretação do  Estado  de Sítio,  cedeu e assinou o Ato Institucional no. 5, o mais abjeto instrumento de ditadura do século.   Como Editor de Política de “O Globo”, tentei falar com Andreazza, e foi a única vez,  em tantos anos, antes e  depois, que ele não atendeu o telefone.  Estava arrasado,   soube depois.

Os meses correram, o país entregue à sanha até de cabos corneteiros, refugiando-se o ministro dos Transportes  na intensificação dos  planos  e metas em andamento.  A tempestade começava a amainar e o velho presidente decidiu fazer, depois, o que não fizera antes: reagir e reconstitucionalizar o país, revogando o AI-5. Valeu-se do espírito democrático do vice-presidente Pedro Aleixo. Foi quando convidou-me para Secretário de Imprensa e porta-voz, encarregado de transmitir com cautela as novas propostas.

Deixei o palácio das Laranjeiras, onde estava o presidente, e antes de chegar em casa para discutir o convite com  minha mulher, dirigi-me ao apartamento de Andreazza, em Copacabana.   Qual sua opinião? Valeria à pena aceitar, passando a integrar um governo de exceção, mesmo sob o segredo de que seria para ajudar a acabar com a ditadura?

Recebi palavras de estímulo, ainda que um alerta óbvio: “não pense que vai ser fácil. Muito  menos que seus amigos  mais chegados vão  entender. Não importa, benvindo  ao barco.”

Fácil não foi, porque depois de alguns dias  transmitindo notícias sobre a abertura política, começaram as  pressões  dos radicais.  O ministro da Justiça, Gama e Silva, um jurila (misto de jurista e de gorila) comentou “que o dr. Chagas estava distribuindo um noticiário infame a respeito do futuro da Revolução”. Como dispunha do apoio do presidente da República, dei de ombros e segui em frente, até  satisfeito por identificar os adversários. Todos os dias, no início e no fim do expediente, no palácio do Planalto, recebia de Costa e Silva indagações a respeito de como a imprensa acompanhava a evolução dos acontecimentos.

De repente, a uma semana da reabertura do Congresso,  então posto em recesso, do envio da emenda constitucional extinguindo o AI-5 e da constitucionalização do regime, sobrevem drama digno de ser contado por Shakespeare:  o presidente é acometido por  um  derrame cerebral,   fruto do conflito entre o seu consciente, disposto a enfrentar resistências e não passar à História como ditador, e o inconsciente  de um general que chegara à chefia do governo por força de um movimento de força. (Continua amanhã)
Naqueles dias em que ainda se ignorava a   extensão da doença do presidente, Andreazza passava a maior parte do dia no palácio Laranjeiras, onde Costa e Silva permanecia, preso ao leito, sem voz e sem movimentos. Era a trombose,  caracterizada por inteiro. Lá, pudemos conversar horas a fio, sem muitas informações clínicas, mas aferrados ao princípio de que “o presidente está doente, mas o cargo não está vago” – frase que ele repetia a todo instante. Os três ministros militares haviam usurpado o poder, mandando prender o vice-presidente Pedro Aleixo, para que não assumisse. Ousaram dizer que assim agiam autorizados pelo velho e enfermo presidente, que de nada tomava conhecimento.

A confusão, que era grande, tornou-se incontrolável quando a esquerda radical e furibunda fornece à  direita condições de botar a pata em cima das instituições que sobravam. Sequestraram o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick. Sem know-how para situações como aquela, a Junta Militar atende  as exigências dos sequestradores e até do governo de Washington, que era de salvar a vida de seu representante a qualquer custo.

Lembro-me de um domingo bem cedo,  sete horas da manhã, haver levado jornalistas à casa de Andreazza, para que ele pudesse enfatizar a importância de se aguardar os derradeiros laudos médicos a respeito da possibilidade ou não de recuperação do presidente.  A repórter Regina Coelho, da “Veja”, reproduziu a conversa e, dias depois, Andreazza era repreendido pela Junta Militar e pelos Altos Comandos. Nada de política, deveria cuidar apenas de estradas, sob pena de ser punido...

A crise desembocou em ferrenha luta pelo poder, surgindo o nome do general Garrastazu Médici para novo presidente. Dei a notícia a Andreazza  que,  emocionado, retrucou: “ele é um homem de bem, conseguirá botar ordem na confusão”.

E colocou, ainda que pela truculência, formando um governo com ministros de Costa e Silva e com ministros novos. Andreazza foi confirmado no ministério dos Transportes, como Delfim Netto na Fazenda e Jarbas Passarinho deslocado do Trabalho para a Educação. Retornei a O Globo, depois fui para a Manchete, mas continuava frequentando casa e gabinete de Andreazza, sempre um excepcional  informante e analista do que se passava no governo.  A seu pedido, a Manchete mandou-me percorrer toda a região  por onde se implantava a Transamazônica. Foram  quinze dias a bordo de um monomotor, descendo em cada campo de futebol em meio à  floresta, entrevistando engenheiros, trabalhadores e, em especial,  caboclos extasiados com aquelas máquinas diabólicas de cortar  o verde.

Começaram para o ministro  os anos da colheita, os anos  dourados que nenhuma intriga conseguiu empanar. A Transamazônica foi inaugurada, a ponte Rio-Niterói também, além de a indústria naval se haver afirmado e muitas  ferrovias, recuperadas. Era o tempo em que a economia funcionava bem, não havia desemprego, a ditadura, por ironia, era  popular e um bem montado esquema de propaganda vendia a ilusão do milagre brasileiro.

Aproximava-se o término do  mandato de Médici e a ebulição nas Forças Armadas voltava a níveis indescritíveis. Do que  mais a imprensa especulava  era sobre a possibilidade de o presidente ser sucedido,  senão por um  civil,   ao menos por um anfíbio, ou seja, alguém  de origem  militar com garra e condições de imprimir  um passo adiante naquele regime,  de resto politicamente fechado e obscuro.  Jornais dedicavam os espaços não censurados a ilações a respeito, surgindo dois nomes principais: Mário David Andreazza e Jarbas Passarinho.

Mero sonho de noite de verão, pois nem Médici pretendia arriscar e nem os Altos Comandos dispunham-se a ceder espaço. Tudo ficou claro quando, em conversa com o presidente, o ministro do Exército,   general Orlando Geisel, resumiu tudo numa frase: “Eu não  bato continência para coronel!”  Coincidência ou não, o  escolhido foi o irmão do ministro, general Ernesto Geisel.  Médici desinteressou-se, a ponto de um de seus filhos haver comentado com o jornalista Carlos Castello Branco: “meu pai escolheu o sucessor como se escolhe uma bailarina num cabaré.” Bailarina foi um termo cortês...

O terceiro governo da Revolução, de Ernesto Geisel, foi  cópia do primeiro, com  o retorno ao poder dos integrantes dos tempos de Castelo Branco. Dispensaram-se os auxiliares de Costa e Silva e de Médici, até com certo rancor. Andreazza foi dos  primeiros  a limpar as gavetas. Estava desempregado, recebia apenas a aposentadoria de coronel do Exército e precisou ganhar o pão de cada dia. Imagine-se a frustração daqueles que anos antes o acusavam de haver enriquecido às custas de obras públicas. Foi para São Paulo,  vender seguros. Quando nos encontrávamos, comentava sempre  estar passando pela melhor fase de sua vida, podendo conviver com a família, acompanhar o desenvolvimento dos filhos e abandonar a sina de mestre de obras.
Chegou a ser convidado para entrar na política.  A Arena, partido oficial, queria faze-lo senador pelo Rio de Janeiro. Não aceitou.

Ao se abrir a sucessão de Geisel, ainda  militarizada, o foco iluminou singular personagem,  o único que conseguiu exercer funções de importância em todos os governos revolucionários. Chefe da Agência Central  do SNI e comandante da Polícia Militar de São Paulo  no   governo Castello Branco,  chefe do Estado-Maior do III Exército no governo Costa e Silva, chefe do Gabinete Militar no governo Garrastazú Médici e chefe do SNI no governo Ernesto Geisel. Um gênio ou  um equilibrista?

Tanto faz, porque íntimo amigo de Mário Andreazza. Era o João.   João Baptista de Oliveira  Figueiredo, último general-presidente do  ciclo   militar. Indicado por Geisel, começou a montar seu ministério compondo  uma síntese das administrações anteriores. Golbery do Couto e Silva continuaria no Gabinete Civil,  Mário David Andreazza, costista,  seria ministro do Interior, como Mário Henrique Simonsen, castelista, no Planejamento, e Delfim Netto, costista e medicista, primeiro na Agricultura, depois na chefia da equipe econômica. Um mágico, aquele Figueiredo, que surpreendeu  o Brasil e o mundo levantando a censura à imprensa, promovendo a anistia política, acabando com o bipartidarismo forçado e permitindo a eleição de governadores oposicionistas como Leonel Brizola, no Rio,  Miguel Arraes, em Pernambuco, Franco Montoro, em São Paulo, Tancredo Neves, em Minas, e muitos outros. Depois, a partir do escândalo do Riocentro e da tentativa da extrema direita de impedir a abertura, entregou-se. Teve enfartos, desinteressou-se do poder. Não quis, ou não pode, levar seus mais íntimos assessores ao banco dos réus, como o chefe do SNI, Octávio Medeiros, e o ministro do Exército, Walter Pires.

Só para concluir:  Figueiredo e Andreazza eram contemporâneos dos tempos de cadete, amigos do peito.  Iniciou-se um novo período para o ex-ministro dos Transportes, tornado  gestor de projetos maiores, responsáveis pela integração nacional. Os tempos já eram bicudos, o milagre brasileiro sucumbira há muito, afogado   nas sucessivas crises do petróleo. Mesmo assim, na Península dos Ministros, em Brasília,   onde se concentravam as mansões dos principais  integrantes do governo, era comum assistir um deles, às seis e meia da manhã,  de tenis e calções largos atravessar a rua e entrar direto no quarto de dormir do outro, que apenas despertava.  Andreazza sentava-se na beira da cama de Delfim Netto e, cheio de papéis, impunha a assinatura do todo-poderoso csar da economia, liberando montes de verbas para todo o  tipo   de iniciativas do  ministério  do Interior. Para os demais companheiros do ministério, eram  a “dupla dinâmica”, Batman e Robin, que faziam o sucesso material da administração Figueiredo.  Mesmo assim, quando lembrado o nome de Andreazza para presidente da República, o presidente titubeou. Aceitou a pressão de Paulo Maluf, afinal feito candidato do partido oficial. Ganhou Tancredo Neves, é claro,  pois a nação estava farta de governos militares. Andreazza retirou-se do palco, foi ganhar a vida mas logo depois adoeceu. Seus amigos precisaram cotizar-se para levar seu corpo de um hospital  em São Paulo para ser sepultado no Rio. Evidência maior de sua honestidade não houve.  (final)

Nova lei: Aposentadoria integral por invalidez




Nova lei: Aposentadoria integral por invalidez
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Agora é lei. Servidor público aposentado por invalidez tem o mesmo direito à aposentadoria integral. A Emenda Constitucional 70/12, derivada da PEC (05/12), aprovada pelo plenário do Senado no último dia 20 foi promulgada nesta quinta-feira (29/03), em sessão solene do Congresso Nacional. Na mesma sessão, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e da Câmara, Março Maia (PT-RS) promulgaram a Emenda Constitucional 69/12, que organiza a defensoria pública do Distrito Federal.
A Emenda Constitucional 70/12 altera a Lei 10.887/04, que disciplinou o regime de previdência. A União, estados e municípios terão cento e oitenta dias para fazer a revisão das aposentadorias por invalidez, concedidas a servidores públicos a partir de 1º de janeiro de 2004. Os reajustes não serão retroativos. Ou seja, os efeitos financeiros da revisão vão valer a partir da data de promulgação da emenda.
Sarney e Março Maia disseram que a nova Lei corrige uma injustiça cometida contra esses servidores. "A Emenda 70 recupera uma dívida para com os servidores públicos que não tinham direito a aposentadorias integrais", disse Maia.
A PEC que originou a nova emenda constitucional é de autoria da deputada Andreia Zito (PSDB-RJ) e estabelece que o servidor que entrou no setor público até o final de 2003 e já se aposentou ou venha a se aposentar por invalidez permanente terá direito a proventos calculados com base na remuneração do cargo em que se der a aposentadoria, sem uso da média das maiores contribuições. Essas aposentadorias também terão garantidos os mesmos reajustes concedidos aos servidores que ocupam os mesmos cargos (estão na ativa). A regra vale também para as pensões decorrentes dessas aposentadorias.
Em síntese, estabelece que o servidor aposentado por invalidez tenha assegurado o salário que recebia quando estava trabalhando. Pela regra que vigia até agora, aposentadoria por invalidez permanente significava proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
FONTE: Senado