| Quilombolas de araque! Almirante abre o jogo sobre Rio dos Macacos
A verdade sobre o Rio dos Macacos
14 de janeiro de 2013
Antônio Fernando Monteiro Dias*
Localizada em posição
privilegiada no centro geográfico do litoral brasileiro, a Base Naval de
Aratu (BNA) é uma instalação militar cuja importância estratégica ainda
não é bem conhecida por parcela de nossa sociedade. Dentre as suas
muitas atribuições, a segunda maior base naval do Brasil presta apoio
logístico vital aos navios da Marinha do Brasil (MB) que patrulham as
nossas águas jurisdicionais e realizam busca e salvamento no mar.
Complementarmente, também fornece um valioso apoio às atividades
marítimas, prestando, quando necessário, serviços de construção e
manutenção de embarcações civis.
Como exemplo, em 2012, a BNA
concluiu a construção de 100 lanchas escolares que possibilitam o acesso
seguro de milhares de crianças de comunidades ribeirinhas à escola; e
docou em suas instalações, para reparo, cinco dos ferryboats que cruzam a
Baía de Todos-os-Santos, embarcações essenciais para o transporte
público da Bahia.
É, portanto, lamentável que
esse imenso patrimônio do povo brasileiro esteja ameaçado por algumas
pessoas que se autointitulam "quilombolas" e ocupam, de forma predatória
e irregular, uma área de mata que pertence à União e se destina à
proteção dos mananciais da Barragem dos Macacos, essencial para o
funcionamento das organizações militares que fazem parte do Complexo
Naval de Aratu.
Como instituição fiel ao
ordenamento jurídico vigente, a MB respeita e reconhece os direitos das
minorias. Porém, no caso em questão, tem convicção plena, lastreada em
provas documentais, de que os ocupantes da área não são remanescentes de
quilombos, visto que muitos são oriundos do interior da Bahia, e até
mesmo de outros estados. Somente se autodefiniram como "quilombolas" em
setembro de 2011, diante da iminência do cumprimento do mandado judicial
de desocupação do terreno.
Como parte de uma aparente
estratégia para sensibilizar a opinião pública e pressionar o Estado
brasileiro para que atenda aos seus interesses, representantes dessa
comunidade vêm empreendendo uma sistemática campanha difamatória contra a
MB, difundindo denúncias de maus-tratos e violações, supostamente
cometidos por militares contra os seus membros.
Mesmo carecendo de dados
concretos que permitam aferir a materialidade ou autoria da suposta
ilegalidade, todas as acusações que chegam ao conhecimento da Força
Naval são devidamente apuradas por meio de inquérito policial militar.
Entretanto, nos inquéritos já concluídos e encaminhados ao Ministério
Público Militar, não foram encontrados quaisquer indícios que
confirmassem a veracidade das acusações.
Verifica-se, portanto, que o
objetivo dessas acusações levianas é angariar simpatizantes, vitimizando
os supostos "quilombolas", de forma a desviar o foco e impedir qualquer
discussão racional e jurídica sobre o assunto, sob o falacioso
argumento de comportamento arbitrário dos militares.
Não obstante, com o intuito de
colaborar para uma solução pacífica da questão, a MB colocou à
disposição, para realocação dos ocupantes, um terreno de aproximadamente
210.000 m², cerca de quatro vezes maior e distando apenas 500 metros do
atual, em local de fácil acesso a serviços públicos de saúde,
transporte, comunicações, água, saneamento e energia elétrica. A
proposta inclui, ainda, a construção de moradias de acordo com
anteprojeto de urbanização da Secretaria de Desenvolvimento Social da
Bahia.
Tal atitude demonstra a
postura conciliadora da MB, que sempre dialogou e dispensou tratamento
respeitoso e humano aos ocupantes irregulares, trabalhando em cooperação
com as autoridades do governo federal para encontrar uma solução
pacífica para a questão.
Convém, também, lembrar que a
missão constitucional da MB está relacionada com a defesa do País e de
sua população, razão pela qual esta Força não compactua com atos de
opressão e violência. Entretanto, não se pode concordar que a vontade de
alguns poucos se sobreponha ao direito de todos, pois a Base Naval de
Aratu não pertence apenas à Marinha do Brasil, mas, sim, a todos os
brasileiros.
*Vice-almirante, comandante do 2º Distrito Naval
A Tarde/montedo.com
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