Depressão masculina: uma cilada quase invisível
Profissionais de saúde estimam que quase 10 milhões de
homens no Brasil sofrem de depressão. A maioria deles é capaz de
admitir que a vida "está sem graça", mas só uma minoria ousa reconhecer
que há algo errado com suas emoções. Isso seria visto como sinal de
fraqueza, "coisa de mulher".
Historicamente, ainda que de forma equivocada, o homem
se vê como o grande caçador, guerreiro, que nunca pode distrair-se ou
fragilizar-se. Mas, em termos mundiais, os homens tentam o suicídio
quatro vezes mais que as mulheres ? e com maior possibilidade de
sucesso. As estatísticas mostram que, para cada duas mulheres, há um homem com depressão. Quando as mulheres sentem-se tristes, buscam contato com amigas ou procuram algo alternativo; enquanto os homens libertam a sua depressão através da frustração, isolamento e da ira. Tornam-se irritáveis, enfiando-se na sua "concha" e dando aos seus próximos "o silêncio como resposta". É este disfarce que caracteriza a depressão masculina.
O que os difere não é a vulnerabilidade à depressão, mas a capacidade de admiti-la. Enquanto as mulheres vão ao médico nos primeiros sintomas da doença, os homens só procuram tratamento quando a depressão já está em estágio avançado; o que configura um comportamento de alto risco: a depressão amplia para mais que o dobro de chances do homem desenvolver doenças cardíacas, câncer, diabetes e outras doenças, além de provocar um envelhecimento masculino mais acelerado e deficiência de testosterona.
Ser despedido do trabalho pode ser tão devastador como a morte de um pai. É a personalidade histórica do homem: o grande caçador e provedor, que nunca pode se deixar abater.
Na depressão, boa parte dos homens recorre ao álcool para camuflar a tristeza e seu uso constante só faz agravar os sintomas problemáticos. Outros recorrem ao fumo, às drogas, ao sexo compulsivo.
Ignorá-la ou não aceitá-la é, certamente, a pior alternativa.
---------------------
Nenhum comentário:
Postar um comentário